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Reflexões sobre moda, mídia e consumo

janeiro 3, 2011

As imagens de moda são minha grande paixão, mas como estudante de pós-graduação não posso ficar restrita a apenas apreciar a beleza e não refletir sobre o que está por trás do sistema da moda e do  ânsia consumista que sentimos por determinados produtos. Por isto escrevi um artigo para a matéria de Moda e Mídia da pós e gostaria de compartilhá-lo com vocês e saber o que cada um, mesmo que leigamente, pensa sobre o assunto!

Com o crescimento da indústria do prêt-à-porter, a moda centralizou-se nos adolescentes e jovens adultos, ávidos para consumir as novas tendências e diferenciar-se das gerações anteriores, vistas como antiquadas. Os jovens ansiavam mostrar através de suas roupas, suas músicas e suas atitudes o desejo de ruptura com o passado, a contrariedade à guerra do Vietnã e o protesto contra a repressão da Guerra Fria. Concomitantemente, surgiram a pop art, os Beatles e os movimentos de contracultura.

A geração baby boomer, que veio logo após o término da Segunda Guerra Mundial, rompeu com o sistema da moda da época de seus pais. Se antes quem ditava a moda eram as maisons francesas de Alta Costura, a juventude pós-1945 era guiada pela nova sensualidade ditada pelo cinema e pela rebeldia dos grupos de rock. Desde então, os meios de comunicação em massa transformaram a cadeia fashion e destruíram o famoso sistema de “gotejamento” (SVENDSEN, 2004).

O zeitgeist da juventude baby boomer era de rompimento. Hodiernamente, com o suporte da internet, o espírito de nosso tempo encontra-se na pluralidade. As relações nos meios de comunicação, antes unidimensionais, deram lugar à lógica da network, ou seja, onde havia apenas uma fonte emissora e vários destinatários, hoje há centenas delas, que dialogam construindo uma relação bidimensional (MASCIO, 2008).

Segundo Gilles Lipovestky, citado por Lars Svendsen, apesar da informação de moda – e a própria moda – ter se democratizado, não é possível afirmar que esta se tornou igualitária. A rapidez com que as novas mídias passaram a difundir-se tornou o acesso ao conhecimento de moda muito mais simples, entretanto, alterou também a qualidade da informação recebida e o próprio ciclo da moda.

Tal ciclo obedece a um sistema estruturado e, como todos os seres vivos, “nasce, cresce, reproduz-se e morre”. No entanto, em consequência da supramencionada rapidez com que a informação é difundida pelos meios de comunicação, o ciclo da moda tem encurtado nas últimas décadas e algumas “tendências” não duram mais que uma temporada. Assim, ao mesmo tempo em que os produtos de moda tornaram-se tão facilmente acessíveis, tornaram-se ao mesmo tempo facilmente banalizados.

Em uma época onde “tudo é permitido” e onde a circulação de produtos ocorre em uma velocidade jamais vista, o consumidor dificilmente tem um estilo definido (SVENDSEN, 2004). Esta “falta de estilo”, somada ao surgimento do fenômeno fast fashion em meados do ano 2000, é responsável por uma moda descartável.

O ciclo da moda passou a ter um ritmo tão frenético que foi necessário a criação de um profissional chamado gatekeeper, que pode ser um jornalista, um stylist, uma celebridade e até um blogueiro influente, como Scott Schuman do The Sartorialist. Os gatekeepers atuam como juízes das tendências, são eles que definem o que está em alta e o que é last season. Tais profissionais surgiram no momento em que a sociedade ocidental passou de “sociedade de produção” para “sociedade de consumo”.

De acordo com o filósofo norueguês Lars Svendsen, no começo da era moderna os indivíduos eram criados para serem acima de tudo produtores, ao passo que a sociedade pós-moderna tem como papel principal consumir. As necessidades do homem pós-moderno não são supridas apenas por alimentos e bebidas, a satisfação tida ao comprar um par de sapatos novos está ligada à identidade e ao combate ao tédio da rotina.

Para Lipvetsky, na sociedade contemporânea, o consumo está ligado a sensações de bem-estar e prazer e, citando Rei Kawakubo, explicita: “A moda só tem realidade na estimulação” (LIPOVETSKY, 1987). O consumidor atual busca desenfreadamente o novo, pois nele projeta uma idealização. Colin Campbell afirma que há uma relação entre o desejo constante de se ter estímulos emocionais do romântico e o desejo contínuo do objeto dos sonhos do consumidor (CAMPBELL, 1989).

Este objeto dos sonhos, porém, nunca será alcançado porque, assim que determinado produto é adquirido, o consumidor passa a desejar um mais novo. Ao que parece, a luta contra o consumo sem limites e o desperdício é grande missão da “geração Y (Millennials)”.

P.S.: um artigo científico deve ser embasado em referenciais teóricos, ou seja, as minhas reflexões e as minhas opiniões devem possuir um sustentáculo que no já foi escrito por estudiosos, caso contrário não valerá nada academicamente (a menos que eu fosse uma doutoranda ou mestranda da vida, o que ainda não sou)!

8 Comentários leave one →
  1. janeiro 3, 2011 8:51 am

    Reflexões são sempre melhores do que simples observações. Adorei.

  2. janeiro 4, 2011 2:03 am

    amei seu blog *-*

    http://saltochique.blogspot.com/

  3. Ronaldo Lamp permalink
    janeiro 4, 2011 7:01 pm

    Não localizei no texto as tuas relexões…
    Onde estão? Trancadas no teu cérebro…
    O título deveria ser: reflexões alheias

    • janeiro 4, 2011 10:06 pm

      Um artigo científico deve ser embasado em referenciais teóricos! Isso não é um simples texto que me deu vontade de escrever pro blog, é um texto de pós-graduação!

  4. carmem lobo permalink
    janeiro 4, 2011 11:14 pm

    bem escrito o seu texto, foi trabalho da pós?admirável seu estilo e suas colocações baseadas em fontes teóricas.detalhado.bom, bom!

  5. Thais permalink
    janeiro 5, 2011 9:00 am

    EXELENTE!!
    Ideias nao saem do alem… refelexões(vindo do verbo refletir, q tambem significa espelhar) devem ser baseadas em coisas concretas, melhor se epelhar nos q dão fundamentos às suas idéias. Parabens, otimo texto, excelente assunto. Bjo Thais

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