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O Surgimento do Prêt-à-Porter e os Movimentos de Contracultura

fevereiro 2, 2011

Vamos falar um pouco sobre história da moda? Mais especificamente sobre o surgimento da indústria do prêt-à-porter e sobre os movimentos de contracultura que viriam a  influenciar a moda até os dias atuais!

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a economia européia estava um completo caos, as cidades destruídas e a as matérias-primas em racionamento. A famosa Alta-Costura parisiense estava em franco declínio, enquanto os Estados Unidos produziam seu casual wear em larga escala (mass production). Alguns industriais franceses então empreenderam várias “missões de produtividade” para conhecer o processo de produção em série dos americanos e logo o assimilaram, nascendo assim o que chamamos hoje de prêt-à-porter (ou ready-to-wear).

Na década de 1950, a sociedade já encontrava-se mais bem adaptada ao novo modo de produção prêt-à-porter e os jovens ganham mais importância como consumidores de moda. Os anos 1950 trouxeram consigo também uma atmosfera de ruptura com os valores tradicionais, uma rebeldia trazida pelo recém-nascido rock n’ roll e seus ícones, como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, que viriam a influenciar não só o gosto musical de uma geração, mas todo um jeito de vestir de seus fãs.  Durante toda a década, o rock permaneceu como sinônimo de rebeldia e delinquência, tornando-se um ponto de identificação entre jovens de todas as classes sociais, que graças ao novo modo de produção puderam encontrar vestimentas para diferenciar-se de seus pais e provocar reações escandalosas do restante de sua comunidade.

A televisão, o rádio e o cinema tiveram papel fundamental na divulgação deste novo estilo musical e dos valores surgidos com ele, como é fácil absolver de filmes como “Rebelde sem Causa”, no qual James Dean interpreta um jovem que questiona a superficialidade e a hipocrisia da classe burguesa e recusa-se a aderir à vida adulta típica.  Os modelos femininos igualmente mudaram: as divas do cinema (a partir) da década de 1950 possuíam uma carga erótica mais forte, eram mais curvilíneas, vestiam roupas mais justas e portavam um ar de segurança, tudo isto sem perder a aura de inocência.

O jeans passou a ocupar lugar de destaque no guarda-roupa da juventude. Inicialmente criado para compor o uniforme de trabalho do proletariado, o jeans ganhou espaço na sociedade americana devido a sua praticidade e começou a ser exportado para a Europa por volta de 1950. Era a peça perfeita para vestir a “juventude transviada”: barata, durável e surgida nas classes populares.

No início dos anos 1960, pela primeira vez na história, os jovens passam a ser considerados um importante grupo consumidor (baby boomers). Visando atender esse novo público que exige roupas baratas e ao mesmo tempo inovadoras, a moda transforma-se num fenômeno prioritariamente de massa.

Com a semente da contestação tendo sido plantada na década anterior, os anos 1960 são marcados pelo contraste, pelo anticonformismo e pela liberação sexual. A androginia se põe em voga: as mulheres adotam cortes de cabelo anteriormente considerados extremamente masculinos (referência ao famoso corte “à la garçonne”,  típico das mulheres dos anos 1920), enquanto os homens imitam o corte “escandaloso” dos Beatles. Agora, definitivamente, a moda não era mais ditada pelas grandes maisons francesas, mas sim pela música, pelo cinema e pela televisão.

Durante esse período, a Inglaterra ocupava um papel jamais ocupado em sua história: o de grande lançadora de tendências. Na famosa Carnaby Street, os jovens ingleses encontravam tudo de mais moderno e trendy. Mary Quant, a quem se credita a invenção da minissaia, abriu sua primeira loja em 1958 e Barbara Hulanicki lançou a Biba, loja mais famosa da Swinging London, pouco depois.

Os Beatles, que no começo da carreira vestiam-se de maneira sóbria, com ternos pretos, passaram a usar trajes coloridos com inspiração militar (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), enquanto artistas mais engajados politicamente como Bob Dylan vestiam-se de jeans e parka. Já Jimi Hendrix e Janis Joplin vestiam-se de forma muito extravagante, misturando roupas étnicas cheias de patchwork com jaquetas militares com brocados dourados.

O panorama internacional na década de 1960 continuava turbulento, os Estados Unidos começaram uma guerra contra o pequeno Vietnã que durou mais de 10 anos (1959-1973). Os jovens americanos foram mandados para longe de suas famílias para um massacre na Ásia, o governo americano enfrentava forte resistência da população que gritava “Make Love, not War!” e protestava por todas as cidades dos Estados Unidos. Já na Europa, a população tenta reconstruir sua economia em meio ao endurecimento da Guerra Fria.

Os jovens, agora politizados, adotam o visual hippie para contestar as guerras, o desemprego e a hipocrisia burguesa. De calça jeans, batas étnicas, vestidos longos com estampas florais, cabelos e barbas grandes e muitas bijuterias, os hippies querem mostrar seu apego à natureza, ao amor e ao pacifismo, o que originou o famoso slogan “Paz e Amor”. O Woodstock, festival icônico realizado em 1969, foi a simbiose de tudo que pregava e influenciava a juventude até o final da década subsequente (1970).

A indústria da moda, ao perceber o potencial das tendências lançadas pelos jovens hippies, rapidamente inicia a produção em massa de saias longas, batas indianas e vestidos florais. O que nasceu com o objetivo de chocar e provocar reflexão na sociedade (“antimoda”, como denomina Gilles Lipovestky) banaliza-se e perde o sentido ideológico ao ser adotado e popularizado.

Continua…

9 Comentários leave one →
  1. carmem lobo permalink
    fevereiro 2, 2011 3:56 pm

    é isso ai!adoro sempre.

  2. fevereiro 3, 2011 6:13 am

    nossa, arrasou na aula!
    ;P

    Bom, se quiser participar e divulgar, estamos com um concurso fantástico no sapatos.net em que damos dois lindos pares de sapatos para os primeiros colocados. É só entrar no link e aproveitar!

    beijos

  3. fevereiro 3, 2011 6:13 am

    Nossa! Arrasou na aula!

    Bom, se quiser participar e divulgar, estamos com um concurso fantástico no sapatos.net em que damos dois lindos pares de sapatos para os primeiros colocados. É só entrar no link e aproveitar!

    beijos

  4. fevereiro 3, 2011 10:50 pm

    Mademoiselle,
    achei muito bem escrito esse seu post. E muito interessante também.
    Você tá cada dia melhor nisso. =)

    P.s.: O melhor da capa do “Rebel Without A Cause” é a frase: “…And they both came from good families!”. Hahaha

  5. Giovanna Diniz permalink
    fevereiro 4, 2011 6:46 pm

    Amei a aula de históra da moda! Achei muito interessante! Você tem alguma fonte? Eu gosto desses assuntos, se você puder dizer onde posso me aprofundar, seria legal.

    • fevereiro 4, 2011 10:31 pm

      Claro, posso te passar os livros que li pra fazer esse trabalho! O seu e-mail é esse mesmo que vc colocou aqui?

  6. Giovanna Diniz permalink
    fevereiro 6, 2011 5:53 pm

    Aham! Pode mandar!

  7. fevereiro 8, 2011 1:58 pm

    Também adorei! Uma verdadeira aula!

    Se você pudesse também me mandar os livros, seria de grande valia, pois pretendo cursar moda.

    Beijos!

  8. beli martins permalink
    outubro 29, 2011 9:44 pm

    Parabéns! Ótimo trabalho, informação é cultura pura, compartilhar é maravilhoso.Sucesso à todos.Bjs doces.

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